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Toni Vargas
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  A criança

Quando se trata de ensinar a capoeira a uma criança a partir de uma perspectiva educacional a primeira coisa e mais importante é a criança. A capoeira e todos os seus elementos devem ser encarados como meios, o fim é a criança. Podemos tentar compreender essa criança a partir de um conhecimento formal, ou seja, estudar os diversos autores que se ocuparam de pesquisar o desenvolvimento da criança em seus diversos aspectos. Apesar de reconhecer a importância da contribuição desses estudiosos creio que exista uma pré condição para trabalhar diretamente com as crianças, é querer, estar pré disposto, ”gostar” de criança. Acredito ainda que esse querer seja a base para o desenvolvimento de uma relação dialógica, relação essa em que a crianças diga quem ela é. Afinal se somos capoeirista temos que construir as nossas ações pedagógicas de acordo com os saberes da nossa arte, Mestre Pastinha disse “Cada um é cada um”  então não posso classificar uma criança a partir de teorias conhecimentos ou saberes que não levem em conta o saber da própria criança e para isso para que ela possa me dizer é preciso que eu esteja predisposto a ouvi-la. Crianças da Rocinha , do Novo Leblon , de Ipanema, da África  mesmo que estejam na mesma faixa etária evidentemente são diferentes não só por pertencerem a realidades geográficas , sociais , econômicas diferentes mas também pelas suas histórias pessoais. Nós acreditamos que por mais nova que seja uma criança a reunião de todas essas realidades permitem a criança ser de forma diferenciada e, portanto trazer consigo um determinado saber, quando esse saber é respeitado esses seres nos presenteiam com a sua confiança e nos conduzem pelos caminhos de um processo de ensino e aprendizagem que é lúdico, dialógico, democrático, transformador e capoeiristico.